“Eu não sei o que eu tenho.” Essa é uma das frases mais ouvidas em um consultório de psicanálise. A pessoa sente peso, irritação, cansaço ou um vazio, mas não consegue dizer o que é. Se isso acontece com você, saiba que é muito mais comum do que parece, e que dá para aprender a reconhecer o que se sente.
Por que é tão difícil nomear o que sentimos?
Muita gente cresceu ouvindo “isso não é nada”, “engole o choro” ou “tem gente pior”. Aprendemos a ignorar o que sentimos para continuar funcionando. Com o tempo, a emoção continua lá, mas sem nome, e aparece como cansaço, ansiedade, irritação ou dor no corpo.
Um passo a passo para começar
1. Pare e observe o corpo
Onde está a sensação: no peito, na garganta, no estômago, nos ombros? Descrever o que o corpo sente é o caminho mais curto para chegar à emoção.
2. Descreva antes de julgar
Tente dizer “estou sentindo um aperto” em vez de “isso é bobagem”. Primeiro descrever, depois entender.
3. Use um vocabulário maior
“Estou mal” cabe em muita coisa. Experimente palavras mais precisas: frustração, decepção, medo, solidão, vergonha, culpa, ressentimento, saudade, esgotamento.
4. Pergunte o que aconteceu antes
Volte algumas horas e veja o que ocorreu: uma conversa, uma cobrança, uma lembrança. A emoção quase sempre tem uma história.
5. Escreva por cinco minutos
Escrever sem se corrigir ajuda a organizar o que estava solto. Não precisa ser bonito, só verdadeiro.
Quando buscar ajuda
Se a sensação de não saber o que se sente vem acompanhada de sofrimento frequente, afeta o sono, o trabalho ou os relacionamentos, vale conversar com um profissional. Na psicanálise, falar livremente é o ponto de partida para que aquilo que não tem nome ganhe sentido.
Perguntas frequentes
É normal não saber o que sinto?
Sim. Muitas pessoas têm dificuldade de identificar emoções, principalmente se aprenderam a reprimi-las desde cedo.
Isso significa que tenho um transtorno?
Não necessariamente. Só uma avaliação profissional pode dizer. Dificuldade de nomear emoções, sozinha, é muito comum.
Em quanto tempo isso melhora?
Varia de pessoa para pessoa. Com prática e, se necessário, acompanhamento, a percepção das próprias emoções tende a ficar mais clara.